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Filosofia: Prática Libertadora

Os governos ditatoriais e algumas religiões tem o "costume" de enfatizar a inutilidade da filosofia, da sociologia e das ciências humanas em geral, evidenciando o saber técnico em detrimento do reflexivo. Porque isso acontece?

O "costume" de enfatizar a inutilidade da filosofia e demais ciências humanas é decorrente do medo.

A filosofia ensina a pensar criticamente; ela é um instrumental da razão para abrir os horizontes da mente e construir um arsenal de idéias novas. Aprende-se a pensar por meio da filosofia. E pensar é um risco para o ditador, para o líder que não quer perde o seu posto e para a instituição que não quer ser desmoralizada. Quem pensa pode vir a constatar que está sendo manipulado, dominado, subjugado. E, sobretudo, quem descobre que está sendo oprimido, descobre, também, que pode lutar contra essa opressão. E vencê-la com a autonomia do seu pensamento e da condução de sua própria vida.

O ditador não quer opositores. Os manipuladores não querem ser desmascarados. A filosofia permite que alguém se imponha pela reflexão crítica e ganhe ousadia pela força das idéias para lutar contra qualquer forma de opressão.

No contexto político, a filosofia colabora de modo decisivo para a construção do conceito de cidadania.

Ser cidadão é participar ativamente da vida política do seu país, sendo conhecedor dos seus direitos e deveres. Mas não apenas isso. Conhecer os direitos e deveres nada mais é do que uma cidadania passiva. É necessário participar da história do país e dos processos decisórios de modo ativo e assertivo. Nenhum regime opressor pretende que a cidadania seja construída em seu território. Nenhum regime ditatorial incentivará a filosofia. Nenhuma religião que trabalha com manipulação fará o mesmo.

Justamente por isso, como todos sabemos, na ditadura militar brasileira a filosofia foi excluída do currículo escolar do ensino médio.

A reinclusão da filosofia e da sociologia demonstra que o nosso país caminha rumo à solidificação de suas vertentes democráticas, ainda que a passos lentos, mas sempre em frente.

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